Eu Cheguei lá!

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Hoje é primeiro de abril, e felizmente não é mentira.

Este que vos fala sou eu, Justiceiro do Sertão, 22 anos, que venho até aqui agora comemorar, ante mim e todos, o cumprimento de minha meta consagrada de 90 dias livre de pornografia, masturbação e orgasmo. Só o começo da luta eterna.

Nasci em família simples e batalhadora, filho de nordestinos (com muito orgulho) pobres, e tive neste vício a pior desgraça de minha vida. A coisa que frustrou todos os sonhos pelos quais seria capaz de lutar.

Tudo começou quando, aos 13 para 14 anos, em meio a tão benfazejo momento por que passava, vivendo em relativa estabilidade familiar e indo bem na escola (sendo até chamado de nerd), por falta de maturidade (um dos piores males de que pode padecer um ser humano) desenvolvi minha personalidade adulta de maneira errada: de uma hora para outra, aquele fervilhar de emoções da adolescência, que outro mais responsável lapidaria com busca pela decência e progresso, pendeu para o lado ruim por teimosia; sentia minha consciência me dizer para ser um bom menino, estudar muito, fazer as coisas direito, evitar vícios para não se perder na vida, porém mesmo assim acabei voluntariamente naufragando.

Garoto ingênuo que era, fiz-me influenciar por nossa paupérrima cultura pós-1945, esse hedonismo mal-interpretado, essa banalização da sexualidade como um deus a ser idolatrado, como algo a que todo homem deve venerar para ser homem. Criança, criança.

De revistas encontradas num armário velho no trabalho de meu pai não demorou até os primeiros DVDs pornô emprestados na escola. Minhas notas a partir de então desmoronaram e me tornei um completo crápula, o tipo mais besta, mais irritante que pode haver (para vocês verem como a pornografia, inclusive, torna o adolescente imaturo ao extremo). Ia para a escola só para perturbar a todos (crente de que estava agindo como gente) e desejar coisas impossíveis, se é que me entendem. Em casa, tendo em vista a queda do meu rendimento escolar (inclusive frente ao sacrifício para pagar escola particular para mim), briguei com meus pais. Briga feia, melhor nem entrar em detalhes.

Não, eu não queria mudar, não queria acordar. Quando se é viciado, quer-se mais é que o mundo se dane. A zona de conforto é muito mais tragicamente gostosa. Meu comportamento era diuturnamente só me masturbar e mais nada, com ou sem pornografia, mas principalmente com; até as meninas da minha sala de aula, furtivamente naquelas funestas manhãs mesmo, me serviam (eis de onde desenvolvi fixação por adolescentes/ninfetas/debutantes, algo que felizmente me foi fulminado pelo reboot).

Houve tempos em que, em classe, quando não estava tendo crises voluntárias de excitação, não parava de falar, cantar e me exibir feito uma criança histriônica, tumultuando a aula, para desespero e ódio de todos e para minutos depois esconder a cabeça entre um livro para pensar em sexo. Vivia o tempo todo discretamente reparando nos corpos das meninas e me permitindo excitar para descontar tudo à tarde, e nenhum receio tinha de nada. Estudar,esqueçam. Um professor, inclusive, chegou a cortar relações comigo. Perdi contatos, colegas, oportunidades de crescimento, de convívio (cheguei a ficar traumatizado por não ter sido convidado às festas, desenvolvendo uma tara doentia por debutantes), perdi tudo. Tudo.

No final de 2007, precariamente comecei a me dar conta de minha situação, o que veio sob a forma de um amadurecimento repentino, violentíssimo choque de realidade que me colocou em dois anos de depressão, a qual só cessou depois que voltei atrás da decisão extrema de cometer suicídio e jurei a mim mesmo nunca mais consumir PMO e só me matar de estudar. Tentei parar na raça mesmo, mas cadê que conseguia? Cadê que aquelas imagens tristemente encantadoras me deixavam em paz? Era só pegar um livro que o cérebro me repelia e me infestava a mente de ninfetas de peles lisinha, de morenas latinas esculturais, de pezinhos de garotas (sempre fui louco), de forma que nada demorava a desabar novamente. Assim foi durante sete anos, enquanto (sabe-se lá como) me formava na faculdade.

E eis que me deparei, em meados de 2014, após finalmente haver beijado uma garota e perdido minha virgindade, com este maravilhoso fórum, esta abençoada iniciativa deste parceiro fantástico chamado Projeto Sabedoria, que me introduziu, via o fórum e o blog, a todas as exatas informações de que eu necessitava para meu livramento, após quase uma década afundado numa vida que nem vida é. Só digo, Projeto, meu eterno e muito sincero obrigado por salvar minha vida e a de todos aqui. Quem batalha vence, quem procura acha. Procurei e achei, batalhei como se deve batalhar e venci.

Iniciei meu primeiro reboot “oficial” em 17 de agosto de 2014, sobrevivendo 55 dias e covardemente me sabotando para não zerar o contador até o 93º, pelo que já pedi desculpas e renovo-as. Após, passei cerca de um mês e meio em meu último círculo infernal e reiniciei humildemente meu contador na madrugada de ano-novo, enquanto em casa meus pais bebiam champanhe, comemorando o relativamente estável momento por que passávamos e passamos. E aqui estou. Em vista ao passado, no Paraíso. Corro atrás do prejuízo feito um louco, é verdade, porém creio que ainda há tempo de ser gente, de modo que os resultados devem vir. Sigo buscando-os.

Saibam que todo o esforço vale a pena. Saibam que a luta é válida, sim. Estou me sentindo bem como jamais, vejo-me simplesmente outro ser, totalmente o oposto do verme que um dia fui.

Não sei se terei condições de moderar algum tópico ou coisa que o valha como andaram desejando, entretanto continuarei por aqui dando apoio a todos os que precisarem. Ajudemo-nos uns aos outros e melhor sentir-nos-emos conosco próprios. Vamos lá.

Cheguei lá.

E com certeza, todos nós chegaremos!!

Fonte: http://comoparar.forumeiros.com/t439-justiceiro-do-sertao-90-dias-de-vida-como-homem-livre