A Vingança de um Rebooter

Amigos, a história a seguir foi resumida aos fatos e acontecimentos em que a PMO esteve presente na minha vida. Procurei citar os acontecimentos mais importantes pra ficar bem resumido, porém com um bom conteúdo. A história começa do zero para as pessoas que lerem possam se identificar e ver que há uma luz no fim do túnel para tudo de ruim que estão passando.

 EPISÓDIO I – A AMEAÇA FANTASMA

Tudo começou aos dez anos de idade. Até então, eu costumava ser um menino bem humorado, de bem com a vida, tinha grande facilidade de socialização, era um piadista nato, filho de uma boa família e com excelentes condições de vida. Além disso, eu estava sempre rodeado por vários amigos e era conhecido por muitas pessoas. Antes desta idade, minha única preocupação era tirar uma boa nota na escola, o que sempre conseguia.

Com a chegada dos onze anos de idade, veio o colegial, e junto com ele, várias coisas foram mudando: Amizades, programas e uma nova rotina. Através desta mudança radical, fui descobrindo um novo mundo, em que a “pegação” se apresentava pra mim como o caminho da felicidade. Neste momento, o foco da minha vida mudou, já que não era só tirar notas boas, jogar bola, andar de bicicleta, etc… Além disso tudo, eu também queria “pegar as menininhas”.
O problema é que eu sempre queria a mais bonita da classe, e isto fazia com que não obtivesse muito sucesso. Aliás, quase nenhum garoto conseguia tamanha proeza. E o pior é que, pelo fato de ser muito tímido e vergonhoso, eu não conseguia nem chegar e falar na cara da garota quais eram as minhas intenções.

Foi nesta mesma época que “A Ameaça Fantasma” surgiu, e vocês já devem saber do que se trata. Fui informado sobre existência da tal “Punheta”, que até então, não sabia o que era. No mesmo dia desta descoberta, fui praticar para ver como era, e fiquei fascinado.

A partir daí, era punheta todo dia, e a toda hora em que houvesse a menor oportunidade. Durante esta série de masturbações compulsivas, eu imaginava todas as colegas da minha classe, e a cada dia, fantasiava com uma diferente. Isso se repetia em ciclos e ciclos, que pareciam intermináveis. Com a evolução e prática diária, comecei também a deitar na cama, fechar os olhos e imaginar situações com tais garotas, num contexto em que eu estava sempre me dando bem com elas, e tirando todos os proveitos possíveis. Desta fase, lembro-me de algo que chama a atenção: até o ponto em que ainda não me masturbava, eu conversava bastante com elas, e depois que iniciei esta prática compulsiva, os papos diminuíram bastante. No final das contas, o Yoda continuava com o placar zerado.

EPISÓDIO II – ATAQUE DOS CLONES

Aos 12, estava prestes a enfrentar o começo de um ataque que duraria anos e anos… O “Ataque dos Clones”, para mim, é visto como “Ataque dos meus semelhantes”, aqueles que eram iguais a mim, no sentindo da masturbação diária e fantasias com as garotas com as quais convivíamos. Nesta época, meus amigos tinham fácil acesso às revistas Playboy, e alguns deles nos arrumavam as edições mensais de todas elas, e eram muito mais “nudes” do que alguém possa imaginar. Todo mês, chegava uma sacola com 10 exemplares para o nosso “Clube do Bolinha”. Até esta época, eu ainda não tinha conseguindo orgasmo com masturbação, mas já praticava todos os dias. Era uma prática sem fim, até sentia aquela pequena “dorzinha”, que não resultava em nada.

Nesta fase, ainda não me dava bem com as mulheres, não havia conseguindo “pegar” nenhuma, e não tinha nem previsão para isso acontecer. Na questão social, sempre tive meus amigos leais, tínhamos bons programas, saíamos e nos divertíamos bastante. Nesse mesmo ano, em que fiz doze, minhas notas começaram a cair e tive minha primeira vermelha na vida. Daí pra frente, meu rendimento escolar começou a cair gradativamente.

EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH

Aos 13 anos, ainda não havia conseguido nenhum orgasmo fazendo minhas sessões com revistas Playboy. Isso me frustrou e me isolou um pouco da prática que vinha cultuando há dois anos. Fiquei um bom tempo sem masturbação. Até que, passados alguns meses, meu pai instalou a internet discada em casa. De início, nem cheguei a pensar sobre quais conteúdos poderia ver. Até que, em um belo dia, um amigo ao qual contei sobre a internet me disse: já entrou no San******.com? Era um site famosíssimo na época que tinha só fotos pornográficas. Seu foco era mais em P do que em mulheres nuas. No mesmo instante, eu fiquei instigado a acessar, e assim que cheguei da aula, tranquei-me no meu quarto (o computador com internet ficava lá), liguei o PC, me conectei e logo entrei no famoso site. Já na primeira página, fiquei louco com tanta imagem em minha frente. Senti os batimentos cardíacos acelerados, os olhos arregalados, era como se eu tivesse achado um baú do tesouro. Foi então que começou a “Vingança dos Sith”.

Como eu havia abandonado o hábito de ver revistas me masturbando, a vingança do vício trouxe uma isca ainda mais pesada e atraente: A Pornografia na Internet. Deste ponto em diante, eram várias horas em frente à tela do computador, salvando vídeos e fotos para futuras sessões de masturbação. Enquanto preparava material suficiente para futuras sessões, eu já fazia uma sessão ali na hora também.

O tempo foi passando, até que um dia, em uma sessão de masturbação eu consegui ter um orgasmo e ejaculei. Eu mal pensava ou tinha consciência para raciocinar que aquele momento teria sido perfeito se fosse com uma mulher, e não com uma tela de computador. Mas neste dia, eu pulei de alegria, fiquei doido e já tentei outra vez na mesma hora, mas não consegui. Esta situação se passou em uma tarde calorosa de um final de semana, em que eu tinha várias coisas para fazer fora de casa, mas fiquei lá, trancado no meu quarto. Depois do primeiro orgasmo, queria ter outro, e buscando isto, eu fiz sessões de manhã, de tarde e à noite, até chegar ao “sucesso” desejado. Aí a coisa ficou feia, porque estava viciado e nem sabia.

Nessa época, nossa turma realizava várias festas, e tínhamos muitos aniversários de amigos para comemorar. Eu estava em todas, mas era o primeiro a ir embora, para voltar ao meu quarto escuro e poder me viciar mais um pouco em PMO. Não satisfeito com as fotos e vídeos de um minuto, certo dia eu tomei coragem de ir até uma banca de revistas para tentar comprar um daqueles DVD´s pornôs que eles vendiam, já que meus amigos haviam perdido os contatos que nos traziam as revistas e todo tipo de material pornográfico. Desta forma, consegui realizar esta façanha sem muito esforço, mesmo a mulher da banca sendo conhecida da minha mãe e sabendo muito bem da minha idade. Quando eu disse que queria levar um DVD pornô, ela nem hesitou em me vender. Isso pra mim foi uma conquista enorme. Ficava pensando: “então agora eu posso comprar filmes novos quando eu quiser”.

Logo após a compra, começaram sessões de PMO a todo momento. Eu tinha muita energia para fazer aquilo, e ficava quase o dia todo em frente à TV, assistindo e me masturbando. Hoje penso: se eu tivesse desviado toda aquela energia para pegar as meninas, ou desenvolver algo mais sério, tudo teria sido bem diferente. Mas chorar pelo leite derramado não resolve. Dos meus treze aos quinze anos, eu me afundei totalmente, e então vieram as consequências: tirei várias notas vermelhas, dependências, não me relacionei com nenhuma garota e já era um completo viciado.

EPISÓDIO IV UMA NOVA ESPERANÇA

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Aos 16 anos, já era viciado em PMO. Um cara com amigos, porém, sem atividades de lazer, distante da família, e sem experiências com mulheres. Como minhas notas estavam um lixo, meu pai retirou o computador do meu quarto e o colocou em uma sala onde eu não teria nenhuma privacidade para praticar PMO, e não poderia sequer dar uma espiada em qualquer foto ou vídeo, e como se não fosse o bastante, o DVD que eu tinha em casa queimou. Meus pais não são fãs de filmes nem de cinema, por isso, nem deram importância para o conserto do DVD, e então passamos muitos meses sem o aparelho.

Por conta dessa situação, eu fiquei sem nenhum meio que me permitisse praticar minhas sessões. Não sentia vontade de me masturbar sem o estímulo visual, pois achava que não teria a mesma graça. Assim, eu fiquei sem sessão de PMO por um tempo, esperando chegar o dia em que eu poderia mexer no computador escondido, e assim, satisfazer a minha mente. Além disso, como se não bastasse tirar o computador do meu quarto, meu pai tirou também o estabilizador, e o escondeu, dizendo que somente ele mexeria no computador, até que eu recuperasse minhas notas. Fiquei puto, mas não podia fazer nada. A partir de então, passei algumas semanas distante da PMO, e comecei a reparar que as coisas estavam mudando para mim, pois passei a ter mais energia e disposição, fiquei mais conversador com as meninas, mais próximo dos familiares, e comecei a perceber que as garotas com quem eu conversava estavam gostando de mim, e isso era incrível!

Com o passar do tempo, me ocorreu a seguinte reflexão, e até já li relatos de pessoas que também pensaram o mesmo que eu:

“parece que depois que eu parei de me masturbar e ver pornô, as coisas estão melhorando pra mim”.

Nessa época surgiu “Uma Nova Esperança”, pois depositei minha fé neste pensamento, e acabei adotando o “Reboot”, sem nem mesmo conhecer seu embasamento científico e eficácia empírica. Simplesmente percebi que parar de fazer aquilo poderia me trazer algum benefício, e simplesmente agi pela minha intuição.

Os dias, as semanas e os meses foram passando, até que aconteceu algo que nem eu mesmo acreditei: as meninas estavam me paquerando, jogando olhares, puxando papo comigo e se interessando pela minha pessoa. Com alguns meses de abstinência, eu estava me sentindo mais confiante diante delas, além de sentir uma calma e serenidade que só hoje comecei a recuperar.

Agora vem a parte boa. Eu consegui ficar, pela primeira vez, com uma menina linda da minha escola, uma das mais desejadas, sem querer me gabar. Ficamos e foi perfeito, eu consegui desenvolver um momento muito bom com ela, que caiu na minha. Logo começamos a namorar, mas só durou alguns meses, devido a brigas e ciúmes. Mesmo com o rompimento, eu não me entristeci, porque nesse ínterim do namoro, eu ficava com algumas meninas “por fora”, e sempre que eu quisesse, elas estariam ali me esperando. Além do mais, eu queria conhecer novas meninas a todo momento, e ficar com elas.

Com o tempo na “bandidagem”, eu fui conquistando uma fama boa entre as meninas, e era bem cobiçado por elas. MSN e Orkut eram bombardeados por mensagens e recados todos os dias. Mas embora tivesse adquirido esse comportamento da “pegação”, eu me tornei um cara calmo, sereno, confiante, e sentia que nada me abalava tanto a ponto de tirar a minha paz. Tudo podia ser contornado e resolvido.

EPISÓDIO V – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA

Aos 17 anos, tinha bons amigos, mulheres, alto astral sempre, motivação “à LOT”. Nessa idade, eu já havia conhecido várias garotas, mas não tinha feito sexo ainda. Então, resolvi que seria a hora! O tempo passou, e conheci uma garota que era modelo fotográfica, linda, gente finíssima, e rapidamente consegui fisgar o peixe. Com um bom tempo ficando, eu a pedi em namoro, e ela aceitou. Eu não conseguia acreditar como uma mulher daquela aceitou meu pedido. Fiquei bastante surpreso e muito animado com a situação. Meus colegas ficaram impressionados também, porque de repente, eu sacudi a poeira e comecei a me dar bem com as mulheres. Eu tinha certeza que todos esses colegas eram viciados em PMO, porque comentavam sobre DVD´s e vídeos pornográficos em nossas rodas de conversa.

Quanto ao namoro, nós já estávamos juntos a três meses, ela era virgem e eu também. Mas eu mentia sobre isso, para poder parecer mais experiente. Cheguei a ela e disse todas as minhas intenções, demonstrando confiança e atitude, sobre a hipótese de nós fazermos sexo. Ela disse que também queria muito. Então eu planejei o dia, lugar e hora para que tudo fosse perfeito. Chegando na hora H, começamos bem, e logo chegou o momento da penetração, e eu, totalmente sem experiência nenhuma, ao colocar o preservativo, comecei a ficar nervoso e ansioso, e só de pôr a camisinha, minha ereção perdeu a rigidez. Mas mesmo com a ereção fraca, a transa aconteceu, e foi neste momento que perdemos a virgindade. A ansiedade era tanta, que ejaculei em menos de cinco minutos. PQP, 5 minutos só? Aquilo não entrou muito bem na minha cabeça e eu fiquei doido. Não tinha ninguém para contar sobre o ocorrido, porque todos poderiam me zoar, devido à falta de maturidade inerentes àquela idade. Eu não sabia que aquilo poderia ser controlado se tivesse paciência, e não tinha consciência de que eu era mega inexperiente no negócio.

Com mais de um ano em “reboot desintencional”, eu havia me esquecido do quanto era bom ficar sem pornografia, e tive uma péssima idéia: pensei que se eu me masturbasse fantasiando, e visse alguns filmes pornôs antes de encontrar minha namorada, eu poderia chegar lá e fazer a relação durar mais tempo, pois já teria gozado uma vez no mesmo dia. Coloquei o plano em prática e até gastei minhas economias para comprar um aparelho de DVD para colocar no meu quarto. Resgatei todos os filmes que eu tinha guardado durante o ano anterior, e dei play em todos. Dia após dia, antes de encontrar minha namorada, ficava me masturbando, vendo pornografia para tentar melhorar minha performance.

No início, até que eu consegui aumentar o tempo da penetração, mas chegou uma hora em que vieram os malefícios da PMO: ejaculação precoce (mesmo sendo o segundo orgasmo do dia) e os sintomas da disfunção erétil começando a se apresentar. Além destes efeitos, vieram também a apatia, falta de paciência, inquietação, desconfiança de tudo, ansiedade, inclusive social. Assim, senti que havia me tornado o lixo que costumava ser no ano anterior.

Minha namorada não suportou a pessoa insegura em que eu me tornara, e então rompemos o relacionamento. Fiquei muito pra baixo, mas muito mesmo. E eu nem me lembrava do quanto era bom ficar sem PMO, e aquela velha intuição não vinha mais, talvez porque eu não silenciava minha mente e ficava me torturando a todo momento pelo rompimento. Daí em diante, me afundei no vício, de uma forma bem pior do que antes. Comprei um HD externo de 1TB, que praticamente ficou lotado de vídeos. A essa altura a internet banda larga já era de fácil acesso, e eu já havia recuperado o controle sobre o computador.

Sessões de PMO várias vezes ao dia, à noite e de madrugada também. Comecei a perder a ereção com vídeos normais, e ia “subindo o nível” de pornografia que consumia, semana após semana, cada dia mais pesado que o outro. Até que uma vez eu tive a curiosidade de ver vídeos pornôs de gays e travestis, e sem nenhum impedimento ou receio, fui assistir. Aquilo virou parte da minha sessão de PMO, toda sessão teria vídeos com gays ou travestis. O tempo foi passando e o habito continuava constante, até que um dia eu vi um cara na rua e me peguei fantasiando com ele. Aquilo foi um choque de 220 Volts, bem no meio da minha testa. Como assim? Porque isso aconteceu? Eu gosto de mulher! Será que sou gay? Mas que porra! Vivi aqui até agora desejando mulheres e agora fantasiei com um cara????

Nunca, em toda minha vida, havia pensado nesta possibilidade, e jamais sentira um pingo de desejo ou curiosidade. Aquilo foi me atormentando tanto, que eu comecei a tentar reparar se eu tinha algum sinal de que era gay, e comecei a ficar louco, porque não encontrava nada disso em mim. Comecei a me testar, imaginando uma situação antes de dormir. Eu fechava os olhos e me imaginava na cama com um cara ou um travesti, mas não tinha nem um pingo de ereção. A ereção só vinha quando eu dava play nos vídeos, e começava a me masturbar olhando tais cenas. Mesmo sabendo que aquilo não era o que eu queria pra minha vida, eu cedia ao vício e me masturbava até ter um orgasmo e me sentir um lixo alguns segundos depois.

O tempo foi passando, até que eu me tornei um cara solitário e depressivo e sem ambição nenhuma.

Na zona de conforto eu fiquei por um bom tempo, com minhas sessões de PMO. Consegui fazer sexo com cinco mulheres durante esse período, sendo que duas delas eram prostitutas. Em todas as relações, fazia uso de Cialis, e também precisava usar a fantasia na minha cabeça, para conseguir ter um orgasmo com elas. No final das contas, o meu saldo ficou com DE, ER, HOCD, depressão, ansiedade, apatia, solidão, falta de força, e perda de motivação e de propósito para a vida.

 

EPISÓDIO VI – O RETORNO DE JEDI

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Mesmo no fundo do poço, eu ainda tinha um mínimo de força pra tentar sair de lá, apesar do imenso poder que tem o vício. Vasculhava a internet para tentar entender os problemas pelos quais passava, buscando soluções, lendo relatos e ficava horas buscando a cura para todo este problema. Entre as sessões de PMO, eu sempre tirava um tempo para pesquisar e tentar achar uma solução pra mim. Com as sessões diminuídas durante a semana, devido ao excesso de trabalho, às vezes eu dedicava todos os meus finais de semana para me embriagar com pornografia.

Certo dia, um amigo das antigas me chamou para sairmos a uma festa que aconteceria logo naquela noite. Eu relutei em aceitar, mas ele não desistiu, até que eu aceitei. Eu pensava comigo mesmo: quando chegar da festa, eu faço minha sessão de PMO. Chegamos à festa, e eu, sempre com aquela ansiedade social enorme tomando conta de mim, e quase explodindo por dentro por estar ali no meio de tantas pessoas, ficava pensando que todos estavam falando alguma coisa ruim de mim, que estavam me zoando ou fazendo algum tipo de fofoca. Cheguei até a desconfiar que sabiam das minhas sessões de PMO, e que eu assistia a vídeos de gays e travestis. Fiquei louco!

Resolvi beber para aliviar um pouco a pressão, e entre doses e goles eu consegui ficar mais calmo. Por um instante, eu vi um outro amigo meu das antigas que estava com a namorada dele e uma outra mulher. Como havia muito tempo que não o via, e nossa amizade era firmeza, não hesitei em sair de onde estava pra ir lá cumprimentá-lo. Ele me apresentou a nova namorada e a amiga dela, que estava ao lado. Quando a cumprimentei, olhei em seus olhos e ouvi sua voz, eu me apaixonei por aquela linda mulher que estava na minha frente. Fiquei por ali mesmo conversando com eles, até que meu amigo viu que eu me interessei pela amiga da namorada dele e nos deixou á sós. Papo vai e papo vem, eu a beijei, e apesar de toda ansiedade e nervosismo por estar com uma linda mulher, nós ficamos juntos até o final da festa. Trocamos números e conversamos por vários dias, e depois tivemos vários encontros.

Com o tempo passando, eu tinha uma dúvida e um medo enorme em relação ao nosso relacionamento. Queria que ele se tornasse um namoro, mas ficava com receio de fazer isso acontecer devido a minha atração pelos tipos de vídeos que eu consumia. E se eu quiser fazer aquilo na vida real? E se ela descobrir? Fiquei num labirinto, sem saber onde estava a saída, até que um amigo meu, vendo minha situação me deu um conselho. Ele não sabia sobre meu vício, mas sabia que eu estava querendo namorar aquela mulher e estava com receio de tomar atitude. Ele me disse o seguinte: se você gosta da companhia dela, do jeito dela e não consegue imaginar a falta dela na sua vida, peça para namorar com ela, cara! E foi o que fiz. Passados dois dias, lá estava eu, pedindo-a em namoro. Fiquei com muito medo, mas arrisquei mesmo assim. Ela respondeu “sim”, e ficou tão feliz que eu me surpreendi, pois nem imaginava que teria aquela reação. Enfim, começamos a namorar e voltei a ter sentimentos e sensações que não tinha há muito tempo, como sair de mãos dadas, abraçar, sentir o cheiro de uma linda mulher, sair de casa em boa companhia para viajar, todos os dias ter alguém que pergunta como é que foi seu dia, entre outros sentimentos agradáveis. Há coisas que não podem ser compradas!

Com o tempo de namoro passando, e as coisas esquentando, eu sabia que chegaria a hora H. Isso me deixava pensativo, ansioso e preocupado. Então, comecei a planejar um dia, assim como fiz com a ex-namorada. Lugar, hora e ocasião, para que tudo fosse perfeito. Mas como ainda era viciado em PMO, não podia faltar o famoso Cialis. Com tudo planejado, o dia em que iria agir e fazer aquele momento acontecer, finalmente havia chegado! Procurei ficar calmo, olhei no espelho e disse “você consegue”, tomei meu Cialis e fui encontrá-la. Tudo fluiu muito bem, tirando minha ER.

Resumindo, vivi por muitos meses na base do Cialis, acompanhado pela ER, e sempre consumindo PMO, mesmo com uma mulher linda comigo. Os meses se passaram e as nossas relações sexuais sempre tiveram o suporte do meu Cialis, o qual sempre guardava na carteira, e mil fantasias na cabeça, enquanto praticava o ato. Era só fechar os olhos e lembrar de todas aquelas cenas que via em frente ao computador.

Praticava minhas sessões de PMO a semana inteira, sem intervalos, e às vezes chegava a não ter vontade nenhuma de fazer sexo real, mas mesmo assim, tomava meu Cialis e o fazia. Ficava confuso, irritado e sempre me questionava: Por que não sinto nada? Por que preciso fantasiar? Por que não tenho orgasmos naturalmente? Depois do orgasmo na transa, fantasiando várias cenas, a sensação era a mesma de estar no meu quarto praticando PMO, pois me sentia um lixo, com vontade de nunca mais fazer aquilo, me achava incapaz e tinha a auto-estima muito baixa. Foram meses e meses tomando esse coquetel de mentiras (Cialis, PMO e fantasias).

Fora do campo sexual, meu relacionamento sempre esteve bem, pois me esforçava para isso. Queria passar todos os meus dias com aquela mulher, compartilhando os bons momentos da vida, e assim foi …

EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA

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Com pouco mais de um ano de relacionamento, eu estava a cada dia mais próximo da minha namorada. Estávamos compartilhando nossos desejos, medos, vitórias, planos, conquistas e dúvidas. Era incrível como estávamos sincronizados um com o outro, sempre nos ajudando em momentos de dificuldades e comemorando em momentos de conquista. No entanto, por trás de tudo isso, eu estava imundo por causa da pornografia e da masturbação. Havia sessões noturnas que duravam entre duas e quatro horas, e às vezes até cinco. Acordava sem forças, como se estivesse de ressaca, a mente confusa, o corpo sem forças pra levantar e começar a jornada. Era impulsionado com uma boa dose de cafeína e um banho gelado, para ligar meu corpo e poder enfrentar o meu dia.

Foram muitos meses de dúvida e agonia intensa, me perguntando por que, mesmo ao lado da linda mulher que amo, que me apoia, me aconselha e me ama, mesmo assim eu ainda não era capaz de sentir prazer durante a relação sexual. Quanto mais pensava nisso, mais as sessões aumentavam, chegando ao ponto em que, na hora do sexo, eu não conseguia mais uma ereção satisfatória, mesmo usando o Cialis. Só então, veio o desespero total, e comecei a fantasiar coisas mais pesadas e absurdas, que continuavam não condizendo com minha preferência sexual, e isso me proporcionava ainda mais sofrimento.

No entanto, um dia aconteceu algo curioso. Estava navegando na internet à procura de algum filme para que me entretesse, e durante determinada busca, li o seguinte título: “Os males da Pornografia, por Gary Wilson”, não pensei nem duas vezes, e cliquei para fazer o download. Minha intuição começou a voltar ao passado, e resgatei alguns pensamentos que há muito tempo não me ocorriam, assim como acontecera naquela vez em que tive a reflexão de que a masturbação e a pornografia me faziam mal. Assisti ao vídeo inteiro, e começou a nascer uma forte esperança dentro mim, o que despertou uma imensa vontade de mudar, pois sabia que tinha encontrado o que talvez seria minha libertação de tantas dúvidas, impotências e medos. Imediatamente, comecei a procurar informações na internet, que pudessem me ajudar a conhecer mais sobre o assunto e entender melhor o embasamento científico do tal Gary Wilson. De primeira, achei o site “Vício em Pornografia”, acompanhado do abençoado e-book compilado, com todas as informações sobre os efeitos devastadores da PMO, assim como o caminho para a cura, através do Reboot de noventa dias, e também muitos relatos de pessoas que se livraram desta prática. Com a empolgação nas alturas, li o e-book em apenas um dia, e o relia sempre que tinha alguma dúvida.

A partir de então, adotei o Reboot, e logo na primeira tentativa, consegui quinze dias, mas recaí logo após fazer sexo. Na segunda tentativa, foram mais quinze dias e na terceira foram sete dias. Fiquei surpreso quando descobri o quanto aquilo tinha me viciado. Apesar de ter praticado durante muitos anos, eu nunca tinha chegado a pensar que teria dificuldades para ficar sem PMO por mais de duas semanas. Daí pra frente, a coisa começou a ficar feia, pois eram intervalos de apenas um ou dois dias entre cada novo Reboot que eu iniciava, e sentia que estava perdendo as forças para continuar. E deste modo, ocorreram várias tentativas, até que, quase sem forças, eu comecei a pensar o que seria de mim se continuasse naquele círculo vicioso, e comecei a lembrar dos anos em que passei perdido nesse mundo da pornografia, e comecei a resgatar à memória todos os acontecimentos ruins que vivi e dos quais conseguia encontrar a causa, de todos eles, com a ajuda do e-book. Não queria mais aquilo, em nenhum dia da minha vida, e então ergui a cabeça e voltei para a luta.

Retornei ao Reboot, de um modo bem “ignorante”, pois não deixava brecha nenhuma para que pudesse acessar qualquer tipo de material pornográfico, e saí de grupos do WhatsApp que compartilhavam vídeos, fotos, ou qualquer coisa que contivesse material pornográfico, ou que me induziria ao abismo.

Não instalei os bloqueadores, porque achei que, para mim, não seria preciso, e o fiz no modo hard mesmo, pois o bloqueador teria que estar na minha mente, já que é lá que está a raiz do problema, e tudo começa com um pensamento ou uma vontade. Mas estes impulsos tem que ser cortados antes de conseguir fincar raízes na sua mente.

Quanto aos amigos que chegavam e começavam a falar sobre pornografia, ou os últimos “nudes” do WhatsApp, eu sempre arrumava um jeito de sair de perto, disfarçadamente. Como última forma de comprometimento, e também como forma de apoio, eu contei tudo para minha namorada, sobre o vício e todos os males que ele me causou. Ela não fazia nem idéia de que eu teria tantos problemas assim devido à PMO, e nem suspeitava de que eu consumia esse tipo de material. Lemos o e-book e assistimos a todos os vídeos juntos. Ela me apoiou e acreditou em tudo que disse, e junto comigo, passou a confiar no Reboot, e que este me traria vários benefícios.

Foi aí que comecei um novo Reboot, mas desta vez, com todas essas medidas adotadas. Olhando o contador no dia um, sem saber quando seria dia noventa, era frustrante, e vinha aquela ansiedade e sentimento de incapacidade, lembrando-me de todas as tentativas fracassadas. Pensava que já poderia estar curado de todos esses males se tivesse conseguido completar, na primeira tentativa, a meta de noventa dias, e dizia pra mim mesmo: “daqui a noventa dias, você quer ter completado a meta ou quer estar como agora, se lamentando por ter fracassado novamente, e ter voltado ao dia zero? ” A partir daí, levantei, de cabeça erguida, e recomecei a caminhada.

Nas duas primeiras semanas de Reboot, adotei o “HARD MODE”, para que houvesse uma possível volta da sensibilização no sexo. Durante essas duas semanas sem sexo e sem PMO, passei por dias de extrema angústia e desespero, falta de energia, apatia, pensamentos distorcidos, falta de concentração e uma vontade imensa de entrar em algum site pornô, para me aliviar. Meu cérebro pedia, desesperado, por PMO, era como tirar o combustível de um carro que queria andar. Nos dias que seriam difíceis de aguentar, eu já me preparava para a pressão que viria, e me programava para que não ficasse perto de alguém ou de um computador, principalmente para que não tratasse ninguém mal, porque nos dias em que batia a crise de abstinência, a minha mente e intuição não funcionavam corretamente, podendo gerar de pequenos a grandes desentendimentos. Quando havia crises, eu parecia um zumbi, pois não ria, não tinha vontade de conversar e nem de sair.

Passei a pesquisar para descobrir como obter dopamina naturalmente de forma saudável, e encontrei vários alimentos e práticas esportivas, como o exercício aeróbico. Adotei essas medidas, não só para o Reboot, mas para a vida. Já praticava musculação há alguns anos, e incrementei os exercícios aeróbicos a minha rotina, acompanhados pela boa alimentação. Ao término da atividade física, a sensação era ótima, de bem estar, vitalidade, disposição, bom humor, era como colocar os óculos e enxergar o mundo de outra maneira. Cortei alimentos com alto índice de açúcar e sódio, e percebi que, quando cortamos meios maliciosos para se obter dopamina, somos designados a procurá-la de maneira saudável. Se você cortar PMO, assim como alimentos gordurosos, açúcar e outras coisas que aumentam a dopamina a níveis perigosos, você só conseguirá obter dopamina fazendo as boas coisas da vida, que é rir, conversar, conhecer gente nova, fazer sexo real, amar(esse ato também é perigoso se não for feito da maneira certa rsrs), sair, viajar, conhecer novos lugares, estar perto da natureza.

Enfim, com mais de duas semanas de Reboot completas, fiz sexo com minha namorada e já senti uma melhora incrível na sensibilidade, mas não tive orgasmo. A DE já havia desaparecido e minha ereção estava ótima. Tomei cuidado para não fantasiar com nada durante o ato, pois fantasias são frutos do nosso vício, na maioria dos casos. Até os quarenta dias de reboot, podia fazer sexo tranquilamente, pois minha ereção estava normal, porém não podia ter orgasmos devido à ER. Até os quarenta dias, lembro que fiquei, em pelo menos sete dias alternados, sentindo crises de abstinência bem fortes, o que me deixou fraco e desmotivado. A saída era colocar um fone de ouvido e sair correndo para a crise não me abater.

Com quarenta dias de Reboot, aconteceu algo incrível! No sexo com minha namorada, comecei a notar uma melhora na sensibilidade, e quando eu menos esperava, comecei a sentir que poderia ter um orgasmo naquele exato momento se quisesse, e assim o fiz. Pela primeira vez em muito tempo, eu tive um sexo “puro”, sem uso de Cialis, sem fantasias, sem neuras, sem disfunção erétil, e sem ejaculação retardada. Tive uma sensação inexplicável de deitar ao lado da minha namorada depois de um bom orgasmo, como nunca havia sentido antes, via estrelas, duendes com potes de ouro (kkkk), foi surreal.

Daí em diante foi só alegria. Tive alguns momentos de oscilação quanto a ER, pois havia dias em que ainda me incomodava um pouco, mas ela foi finalmente vencida. As crises foram acontecendo, mas logo perdiam sua força, não deixava que elas tomassem conta de mim. Elas começam de fininho com um pensamento ou neura que pode te atrapalhar, mas quando isso acontecia, imediatamente, substituía por um pensamento positivo ou alguma ação boa, que não condissesse com o que minha mente queria.

Comecei a sentir benefícios em outras áreas, percebi que passei a conversar melhor com as pessoas, olhando em seus olhos e sem aquela pressa para logo terminar o assunto. Aquela ansiedade social, de estar no meio de tantas pessoas, foi substituída pela vontade de estar entre as pessoas. Voltei a sair com meus amigos e dar risada, como já não acontecia há muitos anos. Acordar de manhã já não tem mais aquela ressaca de PMO e falta de energia. Hoje, acordo me sentindo revigorado depois de uma boa noite de sono, e pensando nas novas oportunidades e no novo dia que me aguarda. Olhar mulheres não é mais como antes, quando olhava e fantasiava sobre elas. Hoje, vejo os mínimos detalhes, como olhar, o sorriso e a sua voz. Também reparo no seu corpo, nas curvas, no jeito como se mexe, mas não com aquele olhar malicioso e imundo, induzido pelo vício em PMO.

O HOCD ficou no passado, não sinto mais vontade de fantasiar com homens ou travestis, todas as neuras que tinha antes sobre o assunto se desfizeram completamente. Hoje posso estar ao lado dessas pessoas sem fantasias ou neuras. Minha virilidade masculina que foi enterrada com a PMO, ergueu-se com força total, fazendo eu voltar a ter a essência que foi enterrada há tanto tempo com a PMO. É muito bom voltar a ter os desejos que sempre teve e não os desejos que a PMO lhe injeta.

Estar na companhia da namorada se tornou dez vezes melhor, e após esse período de Reboot, me sinto bem mais calmo, sem aquela inquietação e irritabilidade para resolver problemas, que na maioria das vezes, originavam-se do meu comportamento frio, criado com a prática do vício. Nossos bons momentos se multiplicaram, e minha vontade de ser melhor ao lado dela também. Até ela me disse que eu sou hoje uma pessoa totalmente diferente do que era antes, e que sou o mesmo que ela sempre conheceu, porém aperfeiçoado e muito melhor.

Eu me sinto o cara que fui antes de internalizar o vício, um misto do que eu era com dez anos de idade, somado a tudo que aprendi nessa vida até os 23. O Reboot foi como um processo de auto-escultura. Esculpindo toda essa camada suja que a PMO criou, para trazer de volta a minha essência, que há tantos anos ficou adormecida com o vício. Calmo, confiante, paciente e feliz com a vida que tenho e as pessoas que estão do meu lado.

Tenho recedido elogios de como meu corpo mudou e de como estou bonito (os elogios não vieram da minha mãe kkkk). Já recebi intimações de duas mulheres, olhares provocantes e aproximações, coisas que não aconteciam á anos.

A concentração, memória, foco e modo de falar estão afiados como nunca. A procrastinação pediu demissão, pois não aguentou tamanha energia que tinha para os afazeres do dia-a-dia.

Para finalizar, o que eu posso dizer é que o Reboot vale a pena. Estarei firme daqui para frente, sabendo que a luta ainda não acaba por aqui, mas é eterna. Foram mais de dez anos no vício, e noventa dias são apenas o início de uma guerra, mas com a primeira batalha vencida.

É preciso usar a cabeça para não se render ao vício, nesse mundo imundo cheio de PMO. Mas eu estarei aqui, “firmão”, para enfrentar os obstáculos que vierem.

Quero agradecer ao Projeto, por nos mostrar a luz no fim do túnel e uma oportunidade de recomeço, ao Bruce por ter me ajudado com toda a revisão ortográfica da minha História de Sucesso, e aos meus irmãos de caminhada Belpheg0r, Barney Retido, Flag, Luke Skywalker, Parsifal, Mestre dos Magos, Mario Vieira, Sulicato Insano, Bruce, Guerreiro A, Marquinhos, Curupira, Hulk Bolado, Ben 10, Pikachu Alado, Fat Boy Slim e Pastor Alemão da Boca Preta.

Vocês foram essenciais na minha caminhada, obrigado por tudo!