O que parecia impossível, tornou-se realidade

Olá, caros companheiros de batalha.

Conheci esse sítio e o e-book aqui disponível em setembro deste ano de 2014, quando pensava que não havia mais condições de que retomasse o controle da minha vida. Eu já havia desistido do abandono do vício, sendo levado a crer que só me restava me entregar à compulsão. Tenho 28 anos de idade, e sempre tive contato com a pornografia. No entanto, a partir de 2005, com a aquisição de um Modem ADSL, a coisa se complicou de vez. O que era rotineiro, tornou-se uma obsessão.

A princípio, trancava-me no quarto e tirava inúmeras fotos com meu celular, para que pudesse me masturbar logo em seguida. Isso ocorria várias vezes por semana, o mesmo ritual, ano após ano. Nos anos posteriores, com a explosão dos sítios de vídeos pornográficos, passei a baixar cada vez mais material, a ponto de abarrotar uma pasta — oculta, claro — em meu notebook. Nessa última fase, nos últimos três, quatro anos, não mais baixava conteúdos, mas utilizava um tablet para satisfazer o terrível e voraz dragão que habitava em mim. E assim, passaram-se 10, 12 anos de minha vida, escoados pelo ralo.

Concomitante ao fortalecimento do vício, em 2005, comecei a estudar para concursos públicos, o que me levou, pelo contato inicial com as matérias jurídicas, a cursar Direito. Nessa época, várias vezes cheguei a furar meu programa de estudos ou deixar de estudar para provas a fim de ver conteúdo pornográfico e me masturbar. Contudo, ainda não percebia a gama de efeitos nocivos que sofreria em razão do vício.

Em 2008, graças a Deus e após muito esforço, fui aprovado num concurso público, e comecei a trabalhar em 2010. À essa altura, já eram nítidos os efeitos que a pornografia e o hercúleo esforço para omitir isso das pessoas ao meu redor desencadearam em mim. Comecei a notar a queda de rendimento no trabalho, a dificuldade de concentração nos estudos e nas demais atividades, a tendência ao isolamento, a ansiedade, a queda drástica da libido, entre outras mazelas que me acometeram.

Em abril de 2012, comecei a namorar a garota de que hoje sou noivo. Para mim, era impensável compartilhar com ela o meu segredo, que guardava a sete chaves. Não poucas vezes, deixei de vê-la justamente para ficar vidrado à tela de um computador ou coisa que o valha. O namoro, contudo, não fez com que o vício minguasse, como inocentemente pensei que fosse ocorrer. O maldito hábito era crescente e chegava às raias da loucura. Quantas vezes não assisti a vídeos pornográficos no trabalho ou mesmo cheguei a dirigir assistindo a um vídeo pornográfico pelo meu celular!

Passaram-se um, dois anos de namoro, e só recentemente, há 20 dias, de súbito e sem racionalizar, pois se o fizesse seria demovido da ideia, desabafei e contei-lhe tudo, os mínimos detalhes. Óbvio que isso a deixou chocada. Ela jamais esperava isso de mim — não que ela esperasse isso de alguma maneira, mas é que se trata de algo que não passa pela cabeça de muitas pessoas, não compõe o mundo delas, como infelizmente passou a compor o meu e de todos quantos leem esse texto. Para a minha alegria, todavia, após o baque inicial, minha noiva absorveu o problema e passou a me oferecer apoio incondicional, o que me fortaleceu a seguir em frente.

Hoje, entretanto, após praticamente ter me abandonado nos braços do mundo pornográfico, meu contador indica 92 dias sem PMO. Já não imaginava que isso fosse possível. Tentei parar por centenas de vezes. Era um gigante invencível que crescia mais e mais, cuja altura já chegava ao céu. Foi quando decidi pesquisar sobre os danos que a pornografia poderia causar e “tropecei” nesse sítio — digo tropeçar, entremente não creio em acaso, e sim que tudo tem seu tempo e propósito. Devorei o e-book e comecei o reboot. O medo de recaídas era constante, como se eu caminhasse pisoteando ovos. Claro que cheguei à beira da queda algumas vezes, mas, logo que me vinha aquela vontade louca de ver pornografia e me masturbar, rapidamente entrava no fórum do sítio e lia relatos de pessoas que tiveram êxito nessa empreitada. Esse recurso sempre funcionou como uma injeção de motivação para avançar.

Ainda há muito chão a ser percorrido, sem dúvidas. Não senti até então os tais “superpoderes”, até porque estou com distimia, um tipo de depressão leve, a qual certamente foi suscitada pela pornografia e masturbação. Tenho feito uso de medicamentos há menos de um mês e vislumbro dias melhores, com a graça de Deus. Apesar disso, é incomensurável a sensação de retomada do controle da minha vida após um hiato de 10, 12 anos. É como se eu houvesse acordado de um estado de coma e ganhasse uma nova chance, uma folha em branco para reescrever a minha história.

Por: M. Mystère

Fonte: http://comoparar.forumeiros.com/t169-o-que-parecia-impossivel-tornou-se-realidade