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Enfim no comando da própria vida!

magraotrixAmigos, espero que o relato abaixo sirva como estímulo a quem está afundado no vício e nas suas consequências: solidão, dúvidas e falta de expectativa para com a vida. O relato ficou longo, mas resumir décadas de sofrimento e dois reboots em poucas linhas é algo complicado.

Minha primeira tentativa de fazer reboot se deu em 24 de outubro de 2013. Esta data marcou uma grande exclamação em minha vida: “Só pode ser isto! Só poder ser a pornografia e a masturbação. Não tenho mais o que tentar! Já tentei de tudo!”. Ou seja, eu não tinha certeza, mas por dedução (por já haver tentado de tudo) eu enfim me dei conta de que podia ser a pornografia que estava me afundando.

Antes disso

Minha adolescência foi uma porcaria. Uma baixa auto-estima contumaz e uma falta de impulso e confiança para lidar com as garotas, tudo isso me conduzia ao que me restava de “experiência sexual”: a masturbação com pornografia ou mesmo a masturbação imaginando garotas que eu queria.

Aos 21 anos me mudei para São Paulo. Nessa época eu morava em frente a uma “casa de entretenimento adulto”. Às vezes pensava: “Por que não vou lá e mato logo essa curiosidade para com o sexo?”. Era virgem ainda. Porém eu tinha a sensação (e hoje eu penso: o que seria isso? Meu inconsciente? Um saber não-sabido…) de que se eu fosse nesse lugar, eu iria “falhar”. Portanto eu não fui, por conta dessa insegurança.

Pouco depois eu enfim arrumei uma namorada. Novamente eu me percebia com uma sensação de que eu não conseguiria fazer sexo. E quando fui tentar, embora estivesse morrendo de vontade, não consegui realizar a penetração. E nas próximas vezes que tentei, foi a mesma coisa. Uma sensação horrível, de pesadelo. Eu estava descobrindo o sexo e ele estava se tornando mais um problema que uma solução para mim.

Chegou uma hora em que enfim consegui transar com minha namorada. Porém havia um problema: eu não sentia prazer suficiente para gozar. Isso quando não perdia a ereção. Nem sonhava que já estava sofrendo de disfunção erétil induzida pela pornografia e de ejaculação retardada. Saia o pesadelo de não conseguir transar, entrava o pesadelo de não sentir prazer com o sexo. Daí para a frente eu sucumbiria lentamente a uma degradação que me fez correr n riscos e perder uns 7 anos mais.

Pois bem, o fato de eu não conseguir transar com minha namorada fez com que o namoro afundasse (e hoje sei que nossa capacidade de amar também é afetada pelo vício). Muitas vezes pensei que o problema era ela. E algo simbólico e revelador é que no dia em que eu terminei o namoro eu comprei um computador com internet. Até então eu consumia pornografia só aos fins de semana. Depois disso voltou a ser todo dia.

Nisso minha vida foi afundando em solidão, em busca de qualquer prazer, como um viciado em drogas. Então comecei a ir atrás daquelas prostitutas baratas que anunciam em jornal. Como eu precisava ver se eu “funcionava”, precisava saber se o problema não era minha ex-namorada e não eu, mas ao mesmo tempo eu tinha de novo a sensação de que não iria rolar, por isso eu nem me arriscava em pagar caro por uma acompanhante de luxo. O fato é que eu estava entrando na lógica da fantasia e da busca por novidades, que caracteriza nosso vício. E por fim, eu falhava na hora de transar com as garotas de programa. A sensação se tornava certeza e minha vontade era não querer saber mais sobre o assunto sexo, extirpar esse tema da minha vida.

Fui perdendo todos os amigos, restando apenas dois, que me aturavam com uma paciência gigantesca já que eu era um poço de estresse, ansiedade e irritabilidade. Nisso comecei a me aprofundar no mundo da pornografia. Saí com uma garota que eu já conversava há anos com ela, desde a época do ICQ. Fiquei apaixonado de primeira por ela. Fomos pra cama e …nada. Falhei. Não conseguia disfarsar minha humilhação e em minha cabeça o sentimento vinha: “esse pesadelo não vai acabar nunca?”. A garota não quis mais saber de mim. Fiquei UM ANO fugindo, não querendo pensar nisso.

Depois desse tempo todo, resolvi ir a um urologista. Pensei: “só posso ter algum problema circulatório”. Chegando lá, os exames mostraram que ao contrário, eu tinha uma circulação na região do pênis muito boa. O médico me deu um Viagra mas disse que aquilo era só por questões psicológicas e mandou eu procurar uma psicóloga.

Pouco tempo depois eu fui pra cama com outra garota. Tomei o Viagra e… nada. Obviamente que isso só acentuou minha vontade de não querer saber de sexo, de não pensar naquilo e me afastar de qualquer conversa que envolvesse esse assunto. Anos se passaram novamente.

Até que num dia de desespero e solidão eu procurei uma psicóloga. Mas durante o tratamento eu já estava usando níveis mais pesados de pornografia. Começar a ver vídeos gays ou de travestis foram a ante-sala da minha procura por travestis na vida real. Comecei a frequentar becos escuros e perigosos, correndo o risco de ser assaltado ou tomar uma navalhada. Me sentia sujo e barra-pesada demais para namorar com alguma garota da minha faculdade. A vida dupla de um viciado já estava sedimentada em minha vida nesse tempo. Simultaneamente, comecei a me questionar: “por que não sinto prazer com mulheres na cama, embora as ache bonitas?”, “por que me pego vendo pornografia de travestis ou mesmo saindo na vida real?”, “será que sou gay?”, “e quando me perguntarem por que eu não namoro?”.

Aí minha psicóloga me disse: “Já parou pra pensar que você pode ser gay? Se você for, não tem problema nenhum, é normal”. Nisso eu entrei em pânico. Ser gay deve ser algo legal para os gays, não para quem sempre pensou ser hétero. Eu desde minha infãncia sempre gostei de garotas, sempre sonhei em ter uma namorada e não esperava que seria tão difícil conseguir algo que para a maioria das pessoas é muito simples. Eu gostava de mulheres, mas elas não me excitavam. Estava cindido ao meio: “Quer dizer que eu posso amar uma mulher mas sentir prazer é só com homens?”. Num dia de desespero, andando como um zumbi viciado à procura doentia de qualquer prazer, cheguei a ir a uma balada gay. Pensei: “vamos acabar com isso logo, não aguento mais NÃO SABER O QUE EU SOU”.

Já pensava atemorizado em como eu ia justificar para minha família que eu era gay. E enfim, nessa balada havia aquelas salas escuras onde os caras ficam se pegando. Ali alguém começou a me tocar e eu não senti nada. Por um lado foi um alívio: tive um indicativo de que eu não era gay. Por outro lado o pesadelo continuava: “O que eu tenho então?”

Comentava com minha psicóloga: “parece que falta um motor dentro de mim”. Hoje sei que esse motor é a libido, que me era roubada pela pornografia e masturbação.

Enfim, depois de uma viagem de uns 20 dias onde fiquei sem pornografia e reduzi bastante a masturbação, quando voltei fiz sexo e consegui ereção e orgasmo (algo raríssimo pra mim). Ali comecei a ter uma intuição de que antes de transar seria bom ficar uns dias sem masturbação. E nisso, muito de vez em quando eu conseguia transar com garotas de programa, embora de vez em quando ainda falhasse.

Foi então que conheci uma garota e me apaixonei por ela. Começamos a sair e logo me veio o alerta atemorizante: “pode rolar sexo”. A possibilidade de fazer sexo pra mim durante todos esses anos era isso: aterrorizante. Foi então que eu comecei a pesquisar sobre isso na internet, e descobri o YourBrainOnPorn. Fiz algumas tentativas descompromissadas de parar. Queria mas não queria parar. Quando essa garota entrou em minha vida, veio a exclamação: “é isto, só pode ser isto, você já tentou de tudo, pare de perder tempo e comece pra valer agora!”.

Nisso eu fui tentando e recaindo, tentando e recaindo. Até que chegou um momento em que eu passei a ter a certeza: “Sou viciado mesmo!”. Não havia mais dúvidas, a teoria, as minhas tentativas e a compulsão me mostravam que eu era viciado. Estava feliz porque enfim eu sabia o que eu tinha! Foram anos sem lutar pois o inimigo era invisível. Agora eu o via pelo menos.

Criei um blog sobre o vício no final de 2013 e logo apareceu o www.apoio.forumais.com de viciados em pornografia em português. No início éramos 4 pessoas apenas, e o Projeto estava lá já nos ajudando, com o ebook. Depois de tanto sofrimento, sabia enfim o que eu tinha e como consertar minha vida. Junto com o fórum eu engatei minha primeira sequência bem sucedida, que veio a ser meu primeiro reboot. Comecei a descobrir uma nova vida ali!

Uma força impressionante, concentração, a ressensibilização que me fazia sentir uma série de prazeres que antes não sentia (uma das piores coisas do vício era a vida mecânica, onde eu beijava uma garota e não sentia prazer nenhum!).

Foram 109 dias em hard mode e, após isso, eu “perdi minha virgindade de fato”, descobri o quanto o sexo era incrível e era um ato de carinho entre duas pessoas. Enfim descobria o que a pornografia e a masturbação me retiraram por décadas: uma potência vital enorme!

Porém, como eu não tinha uma parceira fixa e não havia muita informação (não sabia se após os 90 dias estávamos “curados para sempre” ou não, não previa coisas como efeito caçador após o sexo, etc etc) logo eu recaí. Fui do céu ao inferno. Mas vejo que esta foi minha “adolescência tardia”. Nesse curto período limpo de pornografia eu descobri minha masculinidade, descobri aquilo que a maioria faz durante a adolescência, por exemplo, passar uma tarde nos amassos com uma garota em casa. Tudo isso era novidade e como veio tudo num turbilhão, em vez de vir aos poucos, foi difícil de administrar. Escrevi sobre isso em meu blog: http://vivasempornografia.blogspot.com.br/2015/03/reboot-recaida-e-reboot-da-escuridao.html

Fiquei mais meio ano tentando rebootar novamente (o que mostra que recair não vale a pena rs). No início desse ano fiz um mochilão pro exterior e enxerguei nisso a grande oportunidade de engatar um reboot novamente. E foi o que aconteceu. Três meses se passaram e muita coisa mudou!

Além dos benefícios mais conhecidos do reboot – volta da potência sexual, sensibilidade aos prazeres, enorme sensação de força, concentração,etc – algo que eu gostaria de ressaltar é como hoje eu consigo conversar olhando nos olhos, ouvir as pessoas, porque o reboot me fez perder a extrema ansiedade que eu tinha.

Além disso hoje eu consigo realizar projetos e a procrastinação diminuiu tremendamente. Antes qualquer coisa era um problema gigante sobre o qual eu ficava pensando e pensando. Agora, quando vou ver já estou agindo e em pouco tempo resolvi a coisa. Minha iniciativa está a mil! Mudei meu local de trabalho e horário, e estou mudando de área acadêmica. Acho que enfim as coisas estão se acertando para mim, tanto na vida pessoal quanto na minha questão de decidir um futuro profissional, e isso só é possível porque hoje eu estou livre de pornografia e masturbação. Enfim eu estou com as rédeas sobre minha própria vida!

O cuidado comigo mesmo é outra coisa que mudou tremendamente. Minhas roupas, minha aparência, meu quarto são reveladores do quanto eu mudei para melhor!

Hoje eu consigo dizer não, me valorizo diante das mulheres e me guardo para o momento certo de realizar meu sonho de mais de duas décadas atrás: namorar uma garota.

Uma das coisas mais gratificantes do reboot é que as fantasias e fetiches vão sumindo. Sua sexualidade volta a se reconciliar com sua moral, você se sente limpo, honesto, sente que é o que sempre quis ser. Antes eu pensava: “só conseguirei namorar uma garota que aceite essas minhas fantasias pesadas”. Hoje sei que posso namorar qualquer garota pois não sou mais escravo das fantasias.

Minha vida sexual é ativa e saudável hoje. Além da descoberta de que sexo é carinho, aprendi que o sexo des-cansa, enquanto a masturbação cansa. O sexo preenche sua vida. A masturbação nos enche de vazio.

Hoje eu me sinto jovem e com um monte de possibilidades pela frente. Hoje vejo que tenho um futuro, tanto acadêmico-profissional em algo que eu estou descobrindo que gosto, quanto um futuro afetivo!    Me sinto homem também e não tenho mais vergonha de mim. Hoje tenho um monte de amigos.

Quem convive comigo diz que eu mudei demais. As mudanças vão desde comentários de que a minha pele melhorou até sobre a minha personalidade, meu modo de ser no dia a dia. E eu percebo isso, que desde o meu primeiro reboot vim resolvendo uma série de questões internas (a principal a compulsão do vício) e isso foi mudando minha visão sobre o mundo. A vida não é feia como eu pensava ser nos tempos de vício. A vida é boa, eu me conciliei com ela. A pornografia é que lhe retira as cores e transforma a vida em algumas tristes e pobres dezenas de tons de cinza.

Estou muito feliz e é uma felicidade serena. Já conheci e revisitei (com minha recaída) o inferno e não tenho mais curiosidade sobre como ele é. A variável-chave para toda essa mudança em minha vida foi o reboot, ter ficado livre de pornografia e masturbação.

Meu pensamento antes do reboot: “Vou ter de deixar passar essa (garota ou uma oportunidade qualquer) pois eu não consigo, não estou pronto”. Meu pensamento após o reboot: “Vou aproveitar essa oportunidade pois hoje sei que consigo”. A diferença entre o “não consigo” e o “consigo” em nossa vida é abissal.

Fonte: http://comoparar.forumeiros.com/t447-magrao-29-anos-enfim-no-comando-da-propria-vida

  • Lele

    Me identifiquei com seu relato, eu uso pornografia para diminuir o stress da vida e ansiedade .Estou percebendo que os gêneros de pornografia que eu via antes não me satisfaz mais e estou procurando por gêneros gays e de travestis. Tentei fazer sexo com uma garota gostosa pra caramba , mas nz hora H não tive ereção. Comecei o reboot a pouco tempo, 5 dias e espero melhorar minha qualidade de vida.

  • Geraldo

    mano achei sua historia muito interessante, justamente por ser muito conturbada e ver que vc mesmo assim deu a volta por cima e segue firme e forte, isso para nós que estamos iniciando o reboot da muita motivaçao, vc começou ver pornografia com que idade?