Uma nova esperança

tumblr_lq9801Fldk1qdqe3to1_1280

Bom, não vou revelar o meu nome aqui, até porque não vejo utilidade nenhuma nisso. Gostaria apenas de dizer que atendo pelo apelido de Projeto, já que fui eu quem criou esse site e o tenho mantido até o momento (por isso Projeto). Devido aos vários pedidos, abaixo está o meu relato. Tentei resumir ao máximo a minha história, mas mesmo assim o texto ficou grande. Como existem poucos depoimentos de pessoas que concluíram o reboot em português, penso que isso justifique o seu tamanho.

Bem vindo ao mundo encantado da pornografia

Assim como a maioria das pessoas eu entrei para o vício logo na adolescência. Aos 11 anos lembro-me de ter ganhado de presente uma revista de mulher pelada, mas até aí nada de mais. O problema mesmo veio aos 12 com a internet. Primeiro a discada e depois a internet banda larga de alta-velocidade. Aos 12, mesmo sem saber disso na época, tenho para mim que já estava completamente viciado em pornografia. A internet era o meu refugio.

Como era um adolescente, tudo era novidade. No inicio sentia vergonha ao procurar fotos pornôs e só via fotos de mulheres peladas e nada mais. No decorrer do processo, fui escalando para gêneros cada vez mais pesados de pornografia. Com 14 anos já tinha visto de tudo um pouco e perdi completamente o respeito por mim mesmo. Fui um “adolescente problema” e na época atribui isso a minha idade e as questões pessoais e familiares, mas hoje não tenho duvidas de que a pornografia foi uma influência fundamental nesse processo. Minhas notas pioraram, meus relacionamentos afetivos eram ridículos e eu me tornei uma pessoa cruel.

Primeira tentativa de parar

Aos 16, foi quando comecei a ter vergonha de mim mesmo, senti que precisava de uma namorada e decidi parar com a pornografia e masturbação pela primeira vez. Foi uma época em que eu percebi que a masturbação era algo humilhante e estava determinado a parar.

Achei que seria fácil parar, e nem suspeitava que a tarefa seria praticamente impossível. Nessa época eu não fazia ideia das consequências desastrosas do vicio, apenas intuía que não era uma coisa boa e já não me sentia bem com esse hábito. Além do mais não existia nenhum método sobre como parar e o assunto não era debatido seriamente. Pelo contrário, a pornografia era vista como saudável e recomendável no meu circulo de amizades.

Depois de algumas tentativas ingênuas para parar, eu voltei para o hábito da masturbação e pornografia, mas como o vício era espaçado (por exemplo, uma ou duas vezes por semana), depois de um tempo, eu já havia esquecido completamente o meu desejo de parar e passei a ver isso apenas como um hábito “normal” e “natural”.

Namoro e autoengano

Com 17 anos comecei a namorar e a ter uma vida sexual ativa. Aliás, o meu pensamento para justificar a pornografia antes desse período era de que quando eu fizesse sexo eu não iria mais querer assistir pornografia.   Era algo até meio lógico para quem nunca tinha feito sexo até então. Ou seja, eu pensava que o vício em pornografia era apenas um reflexo do meu desejo natural por sexo e logo que começasse a transar esse desejo iria passar. Penso que muitos adolescentes pensam assim também e por isso nem suspeitam que estejam viciados.

Obviamente que mesmo com o namoro e com uma vida sexual normal, esse hábito não terminou. Ao contrário, só foi piorando ao longo dos anos, já que como sabemos graças aos recentes estudos sobre o vício em pornografia, o cérebro de um viciado está dessensibilizado a velhos estímulos e está sempre à procura de novidades. Nesse sentido, por mais que eu gostasse ou amasse a minha namorada, minha mente sempre tinha a tendência de procurar por novidades virtuais, mesmo que de vez em quando.

A minha performance sexual era ótima e eu sempre aguentava fazer sexo por várias horas seguidas, então a pornografia não era ainda considerada por mim como um “grande problema” ou uma emergência a ser tratada nessa fase da minha vida.

Fundo do poço

Durante o namoro, houve alguns períodos em que eu diminuí fortemente a quantidade de pornografia, porque eu realmente gostava da minha namorada e tinha culpa por olhar fotos de outras mulheres (exemplo: tinha sessões de pornografia apenas uma vez por mês). Para dizer a verdade, eu nem me considerava propriamente um “viciado em pornografia”, apenas alguém que gostava de sexo, como a maioria das pessoas. Mas sempre que havia uma crise ou um desentendimento o recurso “desafogador de mágoas” era a pornografia.

Quando o namoro acabou foi o fundo do poço. Completamente descontrolado, fui caindo para gêneros mais pesados até o ponto em que o sexo virou o centro da minha vida. Nem preciso dizer que as outras áreas como emprego, trabalho e dinheiro, estavam completamente desestabilizadas. E o desleixo para comigo mesmo era digno de um viciado. Só que no meu caso, passava o dia inteiro trancado no meu quarto vendo pornografia ou dormindo.

Mas o fundo do poço mesmo foi quando começou a DE (Disfunção Erétil). Com apenas vinte e poucos anos eu não conseguia mais ter ereções com as minhas parceiras. Eram garotas lindas mas na hora H, eu falhava. No começo pensei que era falta de exercícios físicos, excesso de refrigerante, ansiedade, medo de falhar ou até mesmo apego ao meu ultimo relacionamento ou algum problema com as meninas.

Quando chegou a um ponto em que eu não conseguia me excitar nem com pornografia foi quando bateu um desespero. Vergonha eu já não tinha fazia muito tempo, mas a sensação de impotência foi algo muito humilhante e desesperador. Somado a isso o estado caótico da minha vida, comecei a procurar desesperadamente por uma explicação.

A Busca

Ah, esqueci de dizer que durante a fase do namoro eu cheguei a procurar um psicólogo para falar sobre o meu problema e também busquei ajuda religiosa! Nenhuma alternativa funcionou e no caso do psicólogo, ele disse para mim que a masturbação era normal, saudável e que “com o tempo isso iria passar”. Percebam que não estou criticando ninguém aqui, nem dizendo que psicologia não funciona, apenas relatando exatamente o que aconteceu. (*obs: a psicologia me ajudou em muitas outras áreas, menos com o vício em pornografia).

Depois, passei a procurar desesperadamente na internet uma explicação e encontrei apenas sites religiosos. Eu já me sentia um lixo há muito tempo e quanto mais eu procurava mais as minhas esperanças decaiam, pois eu percebia sem sombra de duvidas que a maioria das pessoas que escreviam os textos sobre como parar(sobretudo de sites religiosos) estavam também completamente afundadas no vicio e apenas dissimulavam que sabiam o “como” parar, como uma forma de fugir do próprio sentimento de culpa e vergonha, já que o que elas ensinavam eram métodos ridículos e nem um pouco funcionais (estes sites, por mais “bem intencionados” que sejam, infelizmente ainda são a maioria do conteúdo existente sobre o tema na internet brasileira).

Pensando que não havia mais solução e completamente desiludido. Cheguei ao ponto, pela primeira vez na minha vida de considerar me suicidar. Não fui muito longe nessa ideia, mas o fato é que, de acordo com a minha própria percepção distorcida pelo vício e a autoimagem negativa que eu tinha de mim mesmo, a minha vida da forma como estava, já não tinha utilidade e não valia a pena ser vivida!

Uma nova esperança

Cansado dos sites brasileiros que não falavam nada com nada e que abordavam o assunto apenas superficialmente, tive a ideia de começar a procurar por sites em inglês. Até que finalmente cheguei no yourbrainonporn, o site do Gary Wilson. No inicio, estava desconfiado já que não tinha mais muita fé em achar uma solução realmente eficaz para o problema. Depois de algumas páginas de leitura, comecei a me identificar com os relatos e com a abordagem cientifica. Depois de ler alguns casos de sucesso, uma esperança se reacendeu no meu coração.

Reboot de 90 dias

Não preciso dizer que comecei o reboot ali mesmo. No começo, assim como todo mundo, eu achei que não precisava de bloqueadores. Depois de umas 30 recaídas, eu não tive dúvidas e comecei a levar mais a sério o experimento. Recaí muito também em sites de relacionamento e com o facebook. Chegou um ponto que eu não aguentei mais me auto enganar e bloqueei esses sites também. Foi nesse período que eu consegui ficar o maior tempo sem pornografia desde os meus 11 anos de idade e comecei a sentir os “superpoderes” na pele.

Comecei a namorar com uma outra garota, também muito bonita, só que estava atravessando a flat-line e ainda estava com o medo de a minha DE não ter acabado. Na primeira transa levei um pacote de Viagra junto por precaução. A ereção foi mais ou menos, mas já foi uma grande coisa já que fazia tempo que isso não ocorria. Depois de algumas relações sexuais esporádicas eu estava mais “ereto” do que nunca. Em menos de 30 dias eu tinha me recuperado da DE. O Reboot funciona!!!

Uma nova realidade

Bom, daí para a frente eu recuperei minha vontade de viver. Meus sonhos e projetos voltaram com tudo. Meus relacionamentos melhoraram em uns 200%. Meu relacionamento com a minha família nunca esteve tão bom. O sexo nem se fala. Eu acabei terminando com essa minha nova namorada, mas por outros motivos e não por causa do reboot. Na verdade, percebi que na prática, o reboot faz aumentar os nossos laços e o respeito pela nossa companheira, assim como o dela por nós.

Projeto Sabedoria

Por fim, como durante o processo do reboot eu lia muitos textos dos sites gringos e traduzia para mim mesmo esses textos, e compadecido e até um pouco indignado por perceber tanta desinformação nos sites em português, decidi compilar um ebook sobre como parar para as pessoas que assim como eu, sempre tentaram parar, mas não sabiam o “como”, tivessem ao menos uma referência para consultar. Coloquei para mim mesmo que eu não me meteria na vida das pessoas e nem faria uma cruzada contra a pornografia, mas que aqueles que buscassem sinceramente por respostas, deveriam encontra-las de alguma forma e que o ebook seria essa ajuda inicial. O resto da história vocês conhecem.

Dicas:

São várias as dicas que eu teria para dar, elas estão registradas no ebook e nos fóruns que participo, mas se eu pudesse resumir as principais, seriam essas:

  1. Instalar vários bloqueadores (não tem jeito, mesmo depois de “rebotado” eu ainda uso os bloqueadores)..
  2. Ser radical (no sentido de não considerar a pornografia mais como uma opção para a vida).
  3. Arrumar uma namorada (a ideia não é virarmos “monges”).
  4. Ler os benefícios de quem parou (essa foi a minha principal motivação, porque eu percebi serem verdadeiros os relatos e os benefícios elencados).
  5. Estudar as estratégias e o “como” essas pessoas conseguiram parar (e procurar aplica-las, obviamente).
  6. Ler as pesquisas cientificas sobre o vício (para entender como tudo funciona e se perdoar pelo seu passado).
  7. Ajudar os outros (parece piegas, mas sinto que quando estou ajudando os outros eu é que sou o mais ajudado, pois esse compromisso, sem querer me ajuda a me manter “limpo” e a ter compaixão pela situação das outras pessoas, assim como a compreender cada vez mais a natureza humana. Por isso obrigado a todos, de coração!).

Para finalizar, um resumo dos prejuízos e benefícios que eu constatei durante o processo:

Antes  do Reboot:

  • Mal humor e irritação comigo mesmo e com as outras pessoas.
  • Falta de foco, procrastinação e perda de tempo.
  • Muito sono e preguiça.
  • Muita vergonha e culpa.
  • Fraqueza física (pernas bambas, voz fraca, pele suja e desleixo pela aparência).

Depois do Reboot:

  • Maior socialização.
  • Muito mais tempo livre (impressionante!)
  • Interesse pela natureza e coisas simples da vida.
  • Amor pelos meus semelhantes e disposição em ajudar.
  • Foco e concentração, assim como melhorias na aparência e melhor desempenho no trabalho e tarefas do dia-dia.
  • Melhor relacionamento com o sexo oposto.
  • Muito mais assediado pelo sexo oposto (sério!)
  • Às vezes, até excesso de energia e um gozo espontâneo pela vida, sem precisar fazer nada para sentir isso.

Fim

É isso pessoal, obviamente existem mais coisas, mas tentei sintetizar aquilo que pode servir de referência para vocês. É claro que isso não resolveu todos os problemas da minha vida, ao contrário, ela sempre apresenta um novo desafio. A diferença é que agora eu sei que tenho força para superara-los, me sinto mais sábio e adquiri a certeza de que nem tudo está perdido, seja para quem tem 12, 20, 40  ou 80 anos!

No mais, vamos aguardar pelos próximos relatos e pesquisas. Desejo que você que esteja lendo isso nesse momento, seja o próximo a relatar o seu reboot aqui nessa sessão.

Um grande abraço a todos!

Projeto

Fonte: http://comoparar.forumeiros.com/t61-projeto-27-anos-curado-de-de-e-uma-nova-esperanca