De suicida à assassino da Pornografia.

photoEU TAMBÉM CHEGUEI! É POSSÍVEL.

Como eu havia dito, escrevi meu relato de sucesso aqui, hoje, pois as circunstâncias me impediram antes.

Bem, o relato ficou muito longo, pois fiz um breve histórico, já que não fiz isso no post inicial, e peço desculpas desde já, por esse defeito de começar escrever e não parar.
Bom, sem mais delongas, vamos ao relato. (Agradecimentos, no final).

Não me lembro precisamente a idade (11 ou 12) que tive acesso a diversas revistas pornográficas. Sei que alguém me apresentou, numa tarde, várias e eu simplesmente fiquei extático diante daquilo. Nunca havia me masturbado até a noite daquele dia. Simplesmente não conseguia dormir com todas aquelas cenas pairando sobre mim, e num ato completamente despropositado, fazendo movimentos de vaivém no pênis senti um formigamento estranho; não parei mais, foram umas 30 ou mais vezes seguidas, só naquela noite.

Começa aqui minha derrocada.No outro dia, ou nas semanas seguintes, acho que já era um completo viciado.Não sei como, repentinamente eu já era dono de uma gama de revistas, sem contar as que eu tomava emprestadas. Pelo fato de eu ser naturalmente tímido, a prática da PMO agravaria mais ainda esse quadro. Foram épocas muitos difíceis. Mesmo sabendo que outros colegas praticavam aquilo, havia em mim uma forte sensação de vergonha, mas não parava.

No início tinha muita vergonha de comprar revistas, e quando enjoava das que tinha, passava pras de moda íntima que encontrava em casa, sempre em busca de novidades. Mas com o passar dos anos fui ficando cada vez mais ousado nesse quesito, já ia às bancas e a vergonha não me impedia mais de ver a moça bonita que ficava no caixa embrulhando “minha compra”.

Daí para cá minha vida se pautou em mentiras, a cada mentira era preciso outra pra validar a anterior. Foi nessa época que comecei a ter depressão, e a fugir das meninas que me mandavam recados. Eu quero que fique claro que não estou dizendo que a masturbação me causou depressão e todos os males de que viria a padecer mais tarde, mas estou certo, como desde o inicio intuí, que ela agravou severamente minha personalidade reprimida.

Pra conquistar algo na vida, é preciso lutar, enfrentar nossos medos etc., assim, como eu queria me relacionar, beijar, transar etc, eu tinha de ir “à caça”, mas como ir, e pra que ir, se eu tinha tudo ali naquelas páginas e páginas, acrescentando a isso minha timidez exacerbada? Logo, não conquistaria nada, mas eu sabia que aquele não era o caminho.

Com 14 anos, muito pressionado por uma menina e colegas que praticamente colaram minha boca na dela, beijei. Foi bom e ruim. Mas eu simplesmente não sabia o que fazer no outro dia; se a procurava, se fingia o pegador e que nada tivesse ocorrido. Simplesmente não tive reação e preferi sumir do mapa. Só sei que fui cada vez mais me enrolando em mentiras pra fugir de possíveis encontros com ela e com outras. Mas quando eu descobria que uma das que tinham me dado chance estava em outra, meu mundo desabava. Por não conseguir nada sempre tinha de mentir pros meus colegas.

Por volta dos 17 anos, decidi sair da igreja, pois em parte atribuía meus fracassos à minha religião, o que de fato, até hoje não deixo de considerar. Não condeno crença ou fé, mas a maneira como muitos tradicionalistas religiosos tratam, ou melhor, enterram esses assuntos e parecemos, muitas vezes, seres assexuados dentro e fora da igreja, ou que só o fato de mencionar “sexo” já é pecado.

As coisas melhoraram um pouco, sim, digo isso mesmo. Pois ganhei uma aparente liberdade e passei a crer que aquilo era obra da minha religião. Comecei a beber, a me enturmar e, consequentemente, a ser novamente pressionado a pegar mulher.

Numa dessas, comecei a namorar uma mina muito sociabilizada, totalmente diferente de mim. No início, minha deprê sumiu e estive perdidamente apaixonado. Mas me vi obrigado a aumentar minhas mentiras vivendo uma vida dupla para impressioná-la e mostrar como eu era “o cara”. Isso me trouxe certos benefícios, arranjei forçosamente muitos amigos que, apesar de totalmente diversos de mim, era obrigado a me comportar como tais. Como era preciso manter minhas mentiras, comecei a pressionar minha namorada para o sexo até que um dia ela aceitou. Minha reação foi muito estranha, sensação de alegria e medo.

Ora, eu dizia para ela que não era mais virgem desde os 13 ou 14, hahaha, e agora era hora de provar. Não deu em nada, como era de se esperar de um mentiroso. Uma hora a casa cai. Botei a culpa no ambiente, disse que ela era uma pessoa especial e como seria a primeira vez dela, ela não merecia que fosse ali, naquele local, blá, blá,blá…

Daí pra frente, comecei a não mais sustentar minhas mentiras, a fugir dela, e, sem motivo real, a ter um ciúme doentio. Até que ela não me suportou mais.  Acho que ela começou a perceber quem eu era de fato, um mentiroso. Ressalto que ninguém te abandona pelo que você é. Talvez se eu tivesse aberto o jogo pra ela no início, tudo teria sido diferente. Mas ninguém suporta mentiras. Terminamos, e meu mundo virou um abismo. Não pensava em outra coisa senão a morte. Foi uma dor imensurável.

Logo nos formamos e me afundei em casa. Durante 3 anos, minha vida foi de completa solidão. Muitos até acharam que eu tinha viajado, mas estava era afundado de vez na PMO. Comecei a trabalhar num trampo fodido, não tinha força pra sair e já me considerava um escravo e que iria morrer ali.
Cada vez mais um mentiroso. Era preciso mentir pra todos e o pior é que estava tão convicto delas que um dia fiquei assustado ao me pegar acreditando também. Comecei a achar que estava ficando louco. Era como se fosse um personagem sempre em ação e só à noite, na cama, eu voltava a mim. Isso era terrível, porque não conseguia dormir, todos os meus males surgiam me esbofeteando. Encontrar comigo mesmo era um terror. Era melhor encenar.

Nesse meio tempo, e já bastante enterrado no álcool (escondido), resolvi dar um tempo e estudar, foi o que me alentou um pouco e ter força pra pedir demissão e me sentir capaz de procurar algo melhor, e foi o que fiz. Como eu disse acima, sempre fui visto com um cara inteligente, por alguns até como nerd, talvez pelas minhas atitudes um tanto quanto estranhas perante uma sociedade alienada. Apesar de todos esses males que me acompanham, sempre tive algo a que me apegar, sempre estive metido em leituras, escrita, a me conscientizar sobre o mundo, as mazelas sociais, discriminação, a criação, história, Deus etc. Talvez isso me deixava mais desesperado e… pimba na PMO. Alguns me têm como ateu, na verdade não sei em que me encaixo. O que sou é mesmo muito cético, e isso viria a se fortificar com os anos de faculdade.

Lembro-me que foi nesse tempo que chegou em casa a internet devido às minhas necessidades de trabalhos acadêmicos. Aí sim mergulhei de cabeça na PMO. Cancelava vários compromissos pra ficar em casa no PC. Eu não entendia o porquê de fugir das mulheres e me entristecia muito com aquilo. Porém, uma não me deu chance de escapar, e qualquer justificativa revelaria todas as minhas mentiras até ali elaboradas.

Não dormi na noite anterior ao encontro. No outro dia, na hora do “vamo ver” simplesmente não reagi. A mina tirou a roupa e nada, eu quis fugir, fui ao banheiro, procurei me excitar e… nada. Foram momentos de terror. Ela logo percebeu e, incrivelmente, abordou o assunto MO. Não tive outra saída a não ser revelar tudo; dizer que era “virjão” e que já há muito tempo não ficava com ninguém e que estava praticando muita masturbação. Ela entendeu tudo. Disse que era pra eu ter calma e dormiríamos aquela noite juntos, sem sexo. Mas eu não me consolava. Meu pensamento era me matar no outro dia. Pra meu alívio, lá para o amanhecer consegui uma leve reação e tentamos, mas o sexo era algo extremamente diferente do que eu sentia com os vídeos. Enfim, o sexo era totalmente insípido. Horrível.

Nos dias seguintes, sem PMO, rolou sexo com algumas dificuldades no início, mas foi muito bom
O problema foi que o relacionamento rompeu e… meti-me desesperadamente na PMO.

A situação piorou muito ao longo de alguns anos. Mergulhei fundo na PMO. Tive quase todos os sintomas de que fala o ebook. Fui progredindo para níveis cada vez mais não condizentes com meus gostos, pois os vídeos tradicionais não me satisfaziam mais: zoofilia, anãs, velhas, homossexuais, lésbicas, masoquismo, sujeira, enfim, tudo que fugia da realidade e que descarregassem mais dopaminas. Chegou um tempo que eu não suportava nem mesmo aqueles vídeos e começava a me embriagar antes das seções, pra adrenalina ser ainda maior.

No trabalho, já não tinha muito medo de ser pego no ato. Pelo contrário, essas situações de risco até me excitavam mais.  Comecei a ter fortes crises depressivas, nada mais me satisfazia, tudo era tédio, e um desejo de matar-me vindo com força a todo o momento. A faculdade se tornou um peso e decidi largar o serviço pra ver se a concluía, já atribui a procrastinação ao serviço que não me deixava estudar. Qual nada, aí que me afundei mesmo.

Nessa altura, já estava decidido a morrer. Todos os meus atos eram inconsequentes e indiretamente suicidas, como pilotar bêbado e em alta velocidade, e foi numa dessas que quase fui “pro espaço”. Caí e me feri muito. Como estava ferido, tive de abdicar forçosamente da MO. Com uma semana estava ficando louco na abstinência, mas ao mesmo tempo algo estranho acontecendo.

Uma semana sem PMO desde aquela tarde em que conheci as “revistas”, foi como uma luz. Eu admirei de ter conseguido aquele feito. E estava diferente, uma vontade de sair de casa, mais comunicativo e risonho. Eu pensei que se devia à novidade do ocorrido e o fato de ter ganhado mais tempo fora do quarto.

Foi aí que comecei a ligar as coisas. Ora, havia uns 9 dias sem PMO e meu humor mudado, decidi pesquisar sobre  masturbação. Deparei-me com um site sobre paqueras e que relatava como ela enfraquece o cara. Logo vi dezenas de comentários de caras que se encontravam na minha situação. Meu Deus! Eu fiquei embasbacado com aquilo tudo. O texto descrevia muitos comportamentos que a mim pertenciam e descobri ali que eu era um viciado severo. Tive uma enorme sensação de derrota. Vi como meus longos anos foram jogados fora. Minhas fugas eram devido ao vício.

Decidi que nunca mais ia voltar, e nos dias seguintes, durante dois meses, vi minha vida complemente mudada. Uma disposição fenomenal, um rendimento absurdo na facul, uma desenvoltura que nunca tinha tido com as mulheres, um relacionamento diferente com a família dentre outras coisas as quais eu nem sabia que era capaz.

Diante te tamanhas mudanças, porém sem acompanhamento e muito voltado pra conseguir uma parceira, decido fazer uma cirurgia pra corrigir um pequeno defeito o qual cri que era, agora, o único empecilho pra o meu sucesso. Na verdade, a ele, eu já havia atribuído parcela de minha timidez no auge do meu vício. Pra meu desespero o resultado cirúrgico fugiu do esperado. O problema é que esse meu pequeno defeito não era nada grave, era mais resquícios de complexos psicológicos. E o resultado me deixou pior que antes.

Foi muito difícil segurar a onda, e já que agora não iria continuar em busca das mulheres e muitíssimo frustrado, enterro-me novamente no pornô pesado e com uma depressão muito mais profunda. A facul termina, as chances de conseguir alguém diminuem e desempregado… O consumo de álcool volta com força, bem como os planos de suicídio.

Eu já estava ciente de que a PMO contribuía ferozmente para com todos os meus males. Mas nessa fase já não havia motivo pra parar, já que meu intento antes era arranjar uma namorada. Decidi parar sozinho, mas as recaídas vinham com força e a cada recaída uma garrafada de álcool.

Até que… me deparo com esse site. E mais uma vez fico chocado com os vídeos de Gary e com o Ebook, com os relatos etc. Foi uma tábua de salvação. Sinceramente eu não sei se ainda estaria por aqui caso não encontrasse esse site. Eu creio que Deus liberta sim. E pode ter sido ele quem me direcionou aqui, mas sinceramente, certos temas precisam de uma abordagem científica para que entendamos com nosso corpo funciona.

Comecei o reboot com muito mais sofrimento do que a primeira vez, já que agora tinha as mãos saradas, hahaha, e não havia já uma forte motivação como antes, como arrumar uma parceira. Estava viciado no álcool também.

Era isso ou o meu fim chegaria. O bom é que partir pro reboot sem grandes expectativas, mas com o fim de sobreviver a cada dia, e qualquer ganho pra mim já era um vitória muito significativa. Já não havia aquela sede por encontrar sexo durante a abstinência.

Comecei seguir o roteiro: bloqueadores, ocupação, leituras, corridas… e assim fui vencendo sofrivelmente os dias. Logo que comecei a interagir no fórum ganhei mais força.

Bom, ao longo desses mais de 100 dias, minha vida mudou muito e posso dizer que sou um vencedor. Talvez estivesse melhor se ao meu lado tivesse uma namorada ou uma esposa legal, com sexo rolando sem neuras e tudo mais, como creio que, para quase todos, seja essa a principal função do reboot. E é para esse fim que também percorro. Minha sequela me deixou profundamente abalado, mas eu estou muito consciente de que minha maior vitória é estar superando isso com o reboot. Ele está sendo fundamental na minha vida.

Alguém que jazia a poucos metros da morte ou de um acidente mais grave, como eu vinha buscando, ter a vontade de viver de volta, uma disposição pros estudos, a abdicação do álcool, a depressão quase nula, a concentração e o ganho de tempo em tudo que faço, a tolerância, (algo que eu não tinha) uma sensação de que sou capaz de lutar e vencer a cada dia um obstáculo, coragem pra dialogar com quem quer que seja, olhar nos olhos, e deixar de ver a mulher como objeto de prazer e que casamento não significa simplesmente sexo todo dia e a todo lugar, como me condicionei a ver, não há preço que pague. É uma liberdade grande.

Eu sei que pra nós, ex viciados, nunca podemos nos dar ao luxo de descuidar, por isso é preciso estar em alerta sempre. Sigo vencendo um dia de cada vez, e muito consciente de como a pornografia me arruinou. Mas nunca é tarde pra mudanças e elas são notáveis em minha vida. Ademais, a vida não se resume em sexo, mulher não é só vagina, esse pensamento é o que destrói muita gente. É preciso cultivar valores outros.

Meus sinceros agradecimentos ao fundador desse Site salvador de vidas, o Projeto, aos moderadores, a todos aqueles que me acompanharam durante a jornada, dando-me força através de palavras, vídeos, ou até mesmo o fato de eu ver que visualizaram meus posts e compadeceram de minhas lamentações. Sei que as possibilidades de nos identificarmos um dia é muito remota, mas torço pra cada um de vocês como se fossem meus mais íntimos amigos.

Valeu galera. Tamo juntos. Laughing