Relato: Uma luz no fim do túnel – 120 dias de Reboot

Relato:

Relutei em escrever essa história por um tempo, mas, como quase cheguei aos 120 dias, aqui está o meu relato.
Acredito que tive o primeiro contato com a P perto dos dez anos, por meio do meu irmão mais velho. Foi um contato muito breve, com uma revista, mas me deixou bastante atiçado. Já aos 12 anos, tive um contato mais freqüente por meio dos colegas de escola, que trocavam revistas. Depois de um tempo, lá pelos 13 anos, passei eu mesmo a comprar as minhas e as escondia debaixo da cama.

Pelos 15 ou 16 anos, consegui parar com a PMO e fiquei livre dela até os 28 anos. Naquela época, a internet era discada e acredito que tinha mais força de vontade e os motivos religiosos me ajudaram a me manter limpo.

A merda começou lá pelos 28 anos, quando comecei, aqui e ali, a ver uma imagem mais insinuante, e depois outra, e depois um vídeo “softcore” e depois outro… e aí todo mundo já sabe o resto. No começo, apesar de considerar a P como uma desordem moral, por motivos religiosos, sentia um impulso dentro de mim me chamando a ver mais e mais. Até que um dia, ainda aos 28 anos, caí na M, coisa que não fazia desde os 16 anos. A sensação foi um misto de prazer e frustração.

Desde então, me afundei no vício. Não digo que vivi ininterruptamente no vício, mas recaía a cada 2 semanas, ou às vezes semanalmente. E cada recaída era seguida de várias sessões de PMO, até que o peso na consciência aparecia e eu tentava parar de novo.

Nesse meio tempo, comecei a namorar e me lembro que cheguei a ficar uns 90 dias limpo. Achei que já estava livre, meio que motivado pela mulher maravilhosa que tinha encontrado, mas eis que um dia recaí, mesmo após ter iniciado recentemente o namoro. Isso pra mim foi horrível. Desde então, recaí uma e outra vez, num intervalo de uma ou duas (máximo três) semanas limpo. Fiquei nessa vida sofrida praticamente desde junho de 2012 até dezembro de 2016 e acredito que nesses quase quatro anos eu só consegui me manter limpo por uns 90 dias duas vezes. Já havia tentado de tudo: bloqueadores, largar o celular por um tempo, evitar usar a internet etc etc… nada disso dava certo, já que, inevitavelmente, eu caía de novo. Para mim, a gota d’água foi ter recaído a uns metros de distância da minha namorada. A “hipocrisia” comigo mesmo era tão grande que eu retirava o anel de compromisso para M kkkk. Foi aí que eu resolvi criar vergonha na cara – de verdade – e tentar parar com isso de vez. Afinal, para mim era inconcebível começar uma vida a dois com esse problema sendo arrastado comigo. A droga do vício era terrível e cada recaída me fazia experimentar uma profunda tristeza e desespero: “porra, caí de novo, e tinha me prometido nunca mais cair…”.

Ressalto que desde que comecei a ter contato mais intenso com a PMO, em 2012, comecei a perceber que tinha algo errado e, em 2013, tinha plena consciência de que eu era um viciado. No entanto, não sabia o caminho a seguir.

No fim de 2016 (perto da virada do ano), assisti a umas palestras dadas pelo psiquiatra Ítalo Marsili, no YouTube, sobre o vício da PMO e ele explicava um pouco do mecanismo neurológico que estava por trás. Falou dos estudos do Gary Wilson, mas até o momento não sabia da existência do livro deste último. Comecei a pesquisar na internet sobre o tema e conheci o NoFap. Já o tinha visto uns meses antes, mas não sei por que não tinha dado tanto valor, não tinha entendido o sentido daquele fórum e de pessoas se exporem sobre o tema. De fato, ainda no comecinho de 2017, não tinha entendido o sentido do Nofap.

Desde o dia 30 de dezembro, por volta das 14h, larguei o vício. Afortunadamente, no comecinho de janeiro, adquiri o livro do Gary Wilson (Your Brain on Porn) e o devorei em coisa de uma semana. Fiquei impressionado com tudo o que li, com toda a explicação e com a estratégia que muitos usaram para sair do vício.

Assim, lá pela metade de janeiro (acho), pesquisei sobre o tema em português e encontrei o Fórum. Instalei bloqueadores e fiz um tratamento de choque: desativei imagens do meu navegador, fiz um auto-exame sobre meus gatilhos, deixei de assistir TV, comecei a correr, comecei a aprender um novo idioma… tudo isso dentro de uma rotina de trabalho durante o dia e estudo à noite. Confesso que depois de uns 60 dias desinstalei os bloqueadores, porque eles estavam me atrapalhando para atividades realmente necessárias (como fazer o meu Imposto de Renda), mas, até hoje, continuo firme no meu propósito. Sei os lugares que devo evitar e não os acesso, simples assim. Além disso, desativar as imagens do meu navegador foi um excelente auxílio, já que meus gatilhos estão concentrados, principalmente, nas imagens…

O reboot não foi fácil, de jeito nenhum. Quem ler meu diário, pode ter essa impressão. As primeiras três semanas foram complicadas, porque é aquele período crítico de desintoxicação. Depois disso, confesso que as coisas se tornaram mais fáceis. Acredito que, como sempre quis me livrar do vício (apesar de, também, estar, no fundo, apegado a ele), isso talvez tenha me ajudado.

Não me considero curado. Tenho tido sonhos recorrentes, como se eu tivesse recaído e vejo como eles são reais, como a recaída pode ser algo real se eu não me cuidar. Continuo tendo “medo” do vício, não quero ter a arrogância de enfrentá-lo como se nada acontecesse. O que quero agora é me manter como estou, limpo, em paz comigo mesmo, feliz. Não posso dizer que tive qualquer um dos efeitos que o pessoal costuma relatar aqui, mas com certeza readquiri a paz interior, que é o que eu queria com esse processo de afastamento da PMO.

Agradeço a todos os que me apoiaram no meu diário (Spiritum, Brit, Líbano, Marco, Broda, dentre outros… desculpem se esqueci alguém) e pelas histórias de sucesso de alguns que li aqui, especialmente a de Antonio71. Cara, sua história é simplesmente sensacional, inspiradora. Foi uma das primeiras que li e até hoje ela me estimula.

Fonte: http://www.comoparar.com/t5014-uma-luz-no-fim-do-tunel-120-diasna