Rumo aos 180 dias

vício em pornografia

Eu sempre tive diversos problemas de ansiedade social, mesmo antes de me envolver com pornografia, e, por isso, decidi que meu reboot seria de 360 dias, que seria o tempo que eu julgo suficiente não só para restaurar os danos provocados pelo uso da pornografia, como também os meus próprios medos de conviver em grupo. Espero trazer um relato completo quando completar meu reboot de 360 dias.

Minha história com a PMO começou já na fase adulta. Na adolescência, o acesso a material pornográfico de alta velocidade era muito restrito. Só fui ter acesso à internet depois de adulto mesmo. Nunca fui de conviver com outras pessoas. Mesmo com meus familiares, sempre fui muito fechado com relação aos meus problemas. Nunca fui de me expor, de dizer quando estou triste ou quando estou passando por um problema. Várias vezes eu queria conversar sobre meus problemas, mas sempre achava a conversa enfadonha, ou achava que a outra pessoa não entendeu nada do que eu havia dito.

Por causa dessa minha característica, namorei poucas vezes na vida. Na adolescência, só tive um namoro que durou 2 meses. Também já fiquei com duas garotas porque meus irmãos pediram a elas. Na vida adulta, tive outras 6 namoradas, e todas as vezes o namoro durava muito pouco. Vale mencionar que eram sempre elas que me convidavam para namorar, nunca o inverso. Não sei se é por causa da minha timidez, por causa da minha personalidade fechada, ou o que acontecia.

Por que estou mencionando isso? Porque, de certa forma, acredito que vários dos meus problemas eram pré-existentes. A pornografia não cria todos os problemas com que estamos acostumados a lidar, mas tem o poder de agravar alguns deles. E, no meu caso, ela agravou, e muito.

Ao contrário da maioria dos jovens que se envolvem em pornografia do tipo xvideos, no meu caso, a pornografia era basicamente hentais, filmes pornográficos japoneses e vídeos com garotas apanhando. Exatamente o pior tipo de pornografia que alguém pode querer acessar, com as cenas mais abjetas, mais insanas e mais humilhantes que só uma cabeça doente pode conceber. Todos os problemas que eu já carregava, associados ao tipo de material pornográfico que eu consumia, me tornaram cada vez mais distante da realidade, com uma mentalidade cada vez mais infantil.

Cheguei a mencionar no meu diário, mas uma das experiẽncias que acabaram piorando ainda mais o meu quadro foi o envolvimento com os sites e fóruns da Real. A Real trata-se de um grupo na internet que, entre outras coisas, diz que mulher é tudo puta, que mulher nenhuma serve para relacionamento, que o negócio é comer e jogar fora, que, se você não for rico, bonito, alto e sedutor, irá morrer virgem, e o mundo está a merda que está por culpa do feminismo. Na época, o discurso deles acabou me convencendo, o que fez com que meus problemas piorassem ainda mais.

Agora, se eu estava na merda, e se não me relacionava com mulher nenhuma, pelo menos tinha uma desculpa para me esconder. Eu não namorava porque era um “beta” baixinho feio e pobre. Logo, não importava o que eu fizesse, iria continuar sozinho para sempre. E me apeguei com tanta força nisso que simplesmente ignorava as evidências ao meu redor provando que eu estava errado: o sujeito que nem carro tem (eu tenho) e que namorava; o sujeito ainda mais baixo que eu e que tinha uma namorada linda; o sujeito feio pra cacete que era casado e tinha uma filha; e por aí vai.

Enquanto meu envolvimento com a pornografia continuava se aprofundando em gêneros japoneses, minha vida social continuava morrendo (será que já tive alguma?). Com o passar do tempo, no facebook, comecei a me envolver em grupos de discussão política. Ali, eu tinha a ilusão de que, agora, estava convivendo em grupo. Ali, eu expunha minha opinião, ganhava likes, seguidores, arrumava alguns inimigos também, e tinha muito orgulho daquilo que eu considerava uma vida social muito ativa. Cheguei até a ter um canal onde expunha minhas ideias (o canal não existe mais).

O que me fez mudar de ideia em relação à pornografia foi uma menina da academia que começou a dar em cima de mim. A menina não era nenhuma modelo, mas eu gostava muito dela. E a menina estava louca para transar comigo. Ela morava com uma amiga (estudante, estava na cidade apenas para estudar), e deu um jeito de ficar sozinha comigo no apartamento várias vezes só para transar. Eu estava animado, vou sair da seca, e talz, e, na hora H, nada!!!!

Ela foi super compreensiva, eu fiquei chateado, mas tudo bem. Vamos tentar outra hora.

Segunda vez. Nada. Terceira, nada, quarta, nada, quinta nada, e, aí, eu percebi que alguma coisa estava muito errada! O relacionamento com a menina acabou terminando, mas aquilo me incomodou muito. Fui pesquisar a respeito. A princípio, achei que o problema era a camisinha. Li vários relatos de pessoas com o mesmo problema, e todos culpando o uso da camisinha por terem broxado.

Eu insisti um pouco mais na pesquisa e encontrei o vicioempornografiacomoparar.com. Li o ebook em dois dias e pensei comigo: pode ser isso mesmo. Não acreditei na hora, mas resolvi fazer o teste e iniciar o programa.

Até agora, eu tomei diversas medidas em razão do reboot: comprei o título de um clube, inciei um curso, instalei bloqueadores no meu PC e no celular, deletei meu acervo pornográfico (confesso que doeu muito deletar os vídeos Laughing ), por causa dos conselhos do Blpr, deletei meu facebook.

Passei a limpar mais a minha casa e também passei a visitar mais os meus parentes. Para aumentar minha religação, coloquei restrição de horário no domingo, para que eu não corra o risco de ficar na internet. Domingo é dia de conversar com as pessoas!

Na academia, comecei a puxar conversa com todo mundo, em especial, com as meninas. Antes, eu não conseguia sustentar 10 segundos de conversa com uma garota. Hoje, eu me aproximo de qualquer uma, independente de sua beleza ou nível social, e converso numa boa. Também parei de vê-las como objetos, e não fico fantasiando com elas após perder o contato visual.

Cheguei a iniciar um jiu jitsu, mas acabei ficando cansado com o combo academia+jiujitsu. Optei por continuar só com a academia. Mas tenho planos agora de iniciar outro curso superior.

O que melhorou após o reboot: maior socialização, mais disposição, menor procrastinação, menor uso da internet, maior proximidade com meus familiares, menor ansiedade com o sexo oposto, maior concentração e maior eficiência. Pela primeira vez, eu me sinto mais humano, e estou conseguindo superar até mesmo problemas pré-existentes, os quais não são foco do reboot.

E, apesar de meu PC estar completamente bloqueado, posso falar francamente para vocês que não sinto a menor vontade de acessar PMO. Nada. Mesmo nos dias que me sinto triste (cada vez mais raros), eu não sinto nenhuma vontade de descontar minha tristeza na PMO. Não importa o que me aconteça ou quão ruim a situação fique, PMO não é mais uma opção.

Quero agradecer a todos vocẽs por estes primeiros 180 dias, tanto aqueles que me apoiaram nos momentos mais tensos aqui no fórum, quanto aqueles que não me apoiaram tanto e que até têm uma certa restrição para comigo. Eu entendo vocês, eu sei que lidar com Toguro não é das tarefas mais fáceis, e, no lugar de vocẽs, não sei se me sentiria da mesma forma.

A propósito, você já instalou os bloqueadores? E quais atividades extranet você vem praticando?

Fonte: http://comoparar.forumeiros.com/t3167-toguro-32-anos-previa-180-dias